terça-feira, 15 de julho de 2008

Rebecca Covaciu

Racismo


Tristemente a Europa revive ondas de perseguição racista na Espanha, na Itália, Alemanha... sintoma que ganha força com a ascensão ao poder de figuras de direita como Silvio Berluscone, aliado aos fascistas (em especial à Liga do Norte da Itália). Ciganos, africanos, emigrantes asiáticos, e outros “diferentes” são perseguidos em muitas cidades e capitais européias, reproduzindo-se noite e dias que acreditávamos que não se repetiriam.
Abaixo trecho de matéria especial publicada em El País.com, hoje, domingo, 13 de julho.

Nas fotos: Em destaque, Rebecca Covaciu; e com toda a sua família romaní.

“Querida Europa...”



A menina romena e cigana (romaní), Rebecca Covaciu, resiste a uma vida de perseguição e miséria. Uma viagem “de tristeza” desde Arad a Milão, Ávila, Nápoles e agora Potenza.


Aos 12 anos, Rebecca Covaciu – olhos grandes, dentes brancos, sorriso esplêndido – viveu e viu tantas coisas, que poderia escrever, se escrevesse, um bom livro de memórias. Rebecca é romena da etnia romaní (cigana), e passou a metade de sua vida nas ruas. Dormiu em um furgão, uma barraca, ao relento. Por alguns dias mendigou com seus pais pela Espanha e Itália. Em outros, viu destruírem sua barraca, foi agredida pela polícia italiana, ouviu encoberta por uma manta como seu pai era espancado por defendê-la, viu morrer crianças por não terem medicamentos, conheceu o medo dos ciganos que fugiram de Ponticelli (Nápoles) quando seu acampamento foi incendiado. Mas Rebecca resistiu. E provocou comoção na Itália com sua história em primeira pessoa. Uma carta em que resume seu sonho: ir ao colégio e que seus pais tenham trabalho.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Influencia Cigana na Cultura Portuguesa "O Fado"


O Fado e' um estilo musical portugues. Geralmente e' cantado por uma so' pessoa (fadista) e acompanhado por guitarra classica (nos meios fadistas denominada viola) e guitarra portuguesa.
Para Saber Mais sobreo o Fado http://pt.wikipedia.org/wiki/Fado


Referências ciganas entre as influências do fado
As influências ciganas no fado e a sua chegada a Lisboa a partir «da região saloia» são alguns dos argumentos de teses defendidas hoje no primeiro painel do Congresso Internacional do Fado, em Lisboa


O antropólogo José Machado Pais, que abriu o primeiro painel da tarde, defendeu a existência de um conjunto de influências e referências musicais na constituição do fado, salientando as de etnia cigana.

Para este investigador, há «um silêncio dos ciganos na História de Portugal» e, por analogia, na do fado.

Curiosamente, uma das primeiras citações documentais relativas ao fado, enquanto dança e canto, liga-se à etnia cigana e surge no «Auto das Ciganas», de Gil Vicente, datado de 1521.

Esta é, segundo José Machado Pais, «a primeira fonte documental em que surge o fado ligado ao canto e à dança».

No texto vicentino lê-se: «Entram quatro ciganas dançando e cantando o fado em ciganês», disse o investigador, segundo o qual o auto foi representado em Évora.

O investigador Paulo Lima, por seu turno, afirmou que «recuar a 1830/1840 para falar de fado, é uma ilusão» e defendeu que «o fado chegou a Lisboa por terra e não por mar».

Lima desvaloriza deste modo as origens brasileiras e de além-mar da canção de Lisboa, sublinhando a importância das populações que viviam nas zonas à volta da capital, conhecidas como zona saloia.

«O fado vai-se construir dentro de um conjunto variado de influências fora das portas de Lisboa, e daí ter chegado por terra», afirmou.

Lima contextualizou os sinais do século XVIII, em Lisboa, após o terramoto, em que a capital «era um estaleiro a que aflui mão-de-obra da zona saloia (região Oeste)», explicou o investigador.

O especialista deixou ainda um alerta aos responsáveis pela candidatura do fado a património da Humanidade, que deverão tomar em atenção o papel do fado como canção operária e de contestação em finais do século XIX e princípios do século XX.

Lima citou o papel preponderante neste domínio dos fadistas João Black e José Harrington. O historiador Rui Ramos, biógrafo do Rei D. Carlos, referiu «a emergência do fado como canção nacional» no século XIX, integrada num movimento cultural que qualificou de «reaportuguesamento».

Se o fado surge como «canto nacional agregador« e, na tentativa de reforço de uma identidade nacional, para Rui Ramos, por seu turno, Paulo Lima salientou que, ao ser uma canção "contra o estado das coisas» e do operariado, «mais do que nacional, aspirava a ser universal».

Fonte Jornal Sol Portugal

domingo, 22 de junho de 2008

PARNO GRASZT


Durante os últimos 20 anos o nome PARNO GRASZT (que significa cavalo branco, como um símbolo de pureza e liberdade na linguagem Romany) tornou-se o equivalente de fé na música cigana húngara.


Pelo menos é o que os críticos dizem.

Para os músicos de Parno Graszt, ser autêntico não é nada mais do que serem eles próprios. Viver na integridade e tocar uma música que sempre tiveram. Tal como Simon Broughton (Songlines) disse após passar um fim de semana com Parno Graszt em sua casa na aldeia de Paszab: 'Eles não usam fontes de música cigana, eles são a fonte em si. "

Com efeito, já em Paszab em tempos de cerimônias sociais música é partilhado por cada um da comunidade: instrumentos são passadas de mão em mão e praticamente toda a gente é um mestre de dança. Não há nenhuma banda, não há audiência. Existe um encontro festivo unificado. Para Parno Graszt, tanto faz tocar em seu quintal ou em um festival com uma platéia de 50 mil pessoas.

A banda toca canções folk tradicional Gypsy recolhidos a partir de Nordeste da Hungria e da Roménia, juntamente com as suas próprias composições, representando assim um dialeto local específico de música cigana. Os seus instrumentos são guitarras acústicas, contrabaixo, tamboura, colheres, E da água pode 'bass oral "que é uma contínua improvisação vocal feita pelo percussionista. A banda é constituída por 9 músicos, incluindo 4 bailarinos que por vezes é alargado com cimbalom, acordeão, violinos e taragot.

Membros da Banda

József OLÁH (tamboura, guitar, vocals)
Géza BALOGH (guitar, vocals)
János JAKOCSKA (guitar, vocals)
János OLÁH (double-bass, vocals)
István NÉMETH (water can, oral bass)
Sándor HORVÁTH (vocals, spoons)
Krisztián OLÁH (accordion)
Mária BALOGH (vocals)
Mária VÁRADI (vocals)



Paszab, Magyarország


Romano Biljo Gypsy


LIVE AT PALÉO FESTIVAL | NYON (CH) | 2006 - Shuckar Jahka

terça-feira, 27 de maio de 2008

APRECI tenta impedir entrega de prêmio cultural

Ciganos do Paraná tentam impedir entrega de prêmio cultural

Luciana Cristo [24/05/2008]

Foto: Átila Alberti

Cláudio: “Impedir entrega”.

O Prêmio Culturas Ciganas, que será entregue hoje - dia em que é celebrado o Dia Nacional do Cigano -, no Rio de Janeiro, não vai ser comemorado pela Associação de Preservação da Cultura Cigana (Apreci) no Paraná.

Suspeitas de vazamento de informações e em relação aos critérios de seleção fizeram com que representantes da Apreci entrassem com ação no Ministério Público do Paraná (MP-PR) para que o edital seja embargado.

Publicado no Diário Oficial da União no último dia 5, o resultado já era conhecido pela Apreci desde 29 de abril, o que caracterizaria, para eles, um concurso de “cartas marcadas”. “O objetivo era impedir a entrega do prêmio hoje, mas a lentidão do MP não permitiu que isso acontecesse”, afirmou o presidente da Apreci, Cláudio Iovanovotchi.

O reforço de características místicas sobre os ciganos é o que a Apreci pretende evitar. “Estamos impugnando todos. Não queremos apoiar o místico e o folclórico, mas sim trabalhos que demonstrem como os ciganos pensam e quais as suas dificuldades. Só assim vamos gerar conhecimento sobre a nossa cultura”, defende Iovanovotchi.

A escolha dos trabalhos também foi criticada por contemplar pessoas não-ciganas, o que seria contra as regras do edital. Segundo a Apreci, dos 20 premiados, 12 não são ciganos. “A idéia é sermos os protagonistas e não algumas pessoas que estão apenas tentando um nicho econômico. Isso vai causar um prejuízo cultural sério e nos preocupamos com o que vai ser do produto final”, alertou o presidente da Apreci. O prêmio totaliza R$ 200 mil para as iniciativas e recebeu quase 130 inscrições nesta primeira edição.

Resposta

A Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (SID/MinC) garantiu que não houve vazamento de informações. Por e-mail, o MinC informou que a comissão, composta por representantes dos ciganos, técnicos e dirigentes do MinC, atuou de forma imparcial. “Vale ressaltar que não houve registro algum de impugnação ao Edital Regulador do Concurso e a nenhum dos seus critérios de seleção ou a qualidade de candidatos, notadamente, parentesco entre propositores”, afirmou a SID. Em relação à autenticidade da origem étnica dos candidatos, o MinC afirmou que optou pelo auto-reconhecimento declarado na apresentação da proposta concorrente, que consta no item 5.1 do edital.

Campanha

O Ministério da Saúde aproveita este Dia do Cigano para iniciar uma campanha nacional de combate ao preconceito contra ciganos no Sistema Único de Saúde (SUS) e para garantia de atendimento a esse grupo. Por não terem endereço fixo, os ciganos sofrem com o atendimento no SUS, pois muitos dos programas do Ministério vinculam o atendimento ao local de moradia. Com a campanha, a intenção é saber quais as doenças mais freqüentes, os hábitos alimentares e as demandas dos ciganos.

FONTE PARANA ONLINE

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Registros de um dos Primeiros Ciganos no Brasil

JOÃO DE TORRES, CIGANO DEGREDADO PARA O BRASIL (grafia do original)

1574

Dom sebastiam etc. faço saber que Johão de torres, çiguano preso no lymoeyro, me euju diser per sua petição que estamdo na villa de momtalluão morador e jmdo e vjimdo à castella fora preso he acusado pela justiça, dinzemdo que semdo ley deste Reyno que toda geração de çiguanos não vjuesem neste Reyno e delle se sahyssem em çerto tempo e por elle não ser sabedor da tall ley por jr he vyr há castella, fora preso he acusado pela justiça, elle he sua molher Amgylyna e condenado per sentença da mor allçada, elle em çimquo anos de degredo pera as gualles e açoutados publicamente, cõ baraço e preguão, e a dita sua molher se sahyrya do Reino em dez dias, visto como se não mostraua certidão de quamdo hally fora pobrjcada em momtalluão, homde forão presos, como todo se mostrua da sentença que oferecia. He por que dos haçoutes, baraço de preguão hera feita execuçam e a dita sua molher hera fora do Reyno e elle ser presente, estaua no lymoeiro, homde perecia há mjimgoa, e hera fraquo he quebrado, e não hera pera serujr em cousa de mar e muito pobre, que não tinha nada de seu, me pedya que ouuese por bem se sahyse loguo do Reyno ou que fose pera o brasyll pera sempre e podese leuar sua molher avendo respeito a pena que já tinha recebyda etc.; e eu vemdo que me asy dise he pedir emvyou, queremdo lhe fazer mercê visto hu parece como o meu pase (?), ey por bem e me praz se assy he como dis, de lhe cummutar os cimquo anos em que foy conenado pera as gualles, pelo caso de que faz menção, visto ho que halegua e declara, em outros cimquo anos pera o brasyll, homde leuara sua molher e filhos, visto outrosy com he feyta execuçam dos haçoutes; por tamto vos mamdo etc. na forma dada em allmerym a vii dias dabrill el rei nosso snr ho mamdou pelos doutores paullo affonso e amtonjo vaaz castello etc. dioguo fernandez a fez, ano do naçimento de nosso snr xpo de m ve lxxiiijo anos. Roque vieira a fez escreuer.

[Archivo Nacional, liv. 16 de Legitim. D. Seb. e D. Henr. fl. 189.]4

Asséde Paiva

www.ciganosbrasil.com



sexta-feira, 16 de maio de 2008

Nápoles em guerra aberta contra acampamentos ciganos

MANUELA PAIXÃO, Roma
Nápoles volta a ser notícia pelas piores razões, pois, nos últimos dias, converteu-se num cenário de guerra aberta contra os campos de ciganos. O saldo é de pelo menos seis acampamentos queimados, numa onda de cólera que estalou com a tentativa de rapto de um bebé de seis meses por uma rapariga romena, que foi perseguida por pais e vizinhos.

Napolitanos de todas as classes sociais voltaram a deitar fogo aos acampamentos já abandonados, para impedir que os ocupantes, de origem romena e balcânica, pudessem voltar dentro de dias para reconstruir um dos mais degradados subúrbios de Nápoles - Ponticelli.

Aos gritos e com actos de vandalismo, incitados pela multidão, iam dando vivas à destruição do bairro, hoje transformado num centro de crime, da Camorra, em particular do tráfico de mão-de-obra clandestina.

Na quarta-feira, em menos de duas horas, gangues organizados, lançaram o terror nas ruas de terra batida do acampamento. Às primeiras horas da manhã, a Itália assistia atónita às imagens que iam passando nas televisões: jovens armadas com cocktails Molotov atacavam com uma estratégia militar digna de um filme sobre a guerra no Vietnam e, no Iraque ou no Kosovo.

Com gasolina espalhada por toda a parte e o lançamento de garrafas incendiárias as línguas de fogo alastraram destruíram tudo o que encontraram.

É uma guerra contra um inimigo invisível que fugira horas antes. E agora, escondido atrás de árvores, sob pontes ou velhas casas, tenta proteger-se da multidão que grita: "Devem ser expulsos da Itália. Não devem mais raptar os nossos filhos."

A fumaca espalhou-se rapidamente e impediu a circulação dos carros. Os bombeiros tiveram dificuldades para dominar as chamas de 20 metros. E tudo isto passou em directo na televisão para toda a Itália ver.

E enquanto Ponticelli ardia, inflamava-se também o discurso político, com o assessor das Políticas Sociais de Nápoles, Giulio Riccio, a condenar a "agressão criminosa" aos campos e um documento oficial assinado por cinco conselheiros municipais a pedir a destruição dos todos os acampamentos habitados por romenos.

Tudo isto acontece numa altura em que já estava previsto o despejo dos ciganos romenos. No local será construída uma área residencial e um parque. A corrida das novas autoridades para iniciar os trabalhos, a 4 de Agosto, explica-se pelo facto de perder o financiamento público caso os prazos-limite não sejam respeitados.

Este tipo de projecto, na ordem dos 70 milhões de euros, não era oferecido a Nápoles há muito tempo. Já há dezenas de empresas candidatas à construção de casas.

Os incidentes registados em Nápoles, no Sul de Itália, levaram já as autoridades municipais da capi- tal italiana, Roma, de Turim e Mi- lão a anunciar ontem a criação de um comissariado para vigiar os romenos.

Em Nápoles há 2500 ciganos, mil da Roménia e 1500 dos Balcãs, segundo o grupo Opera Nomadi. Em Roma viverão 10 mil ciganos. Em Itália, ao todo, vivem de 130 mil a 150 mil, segundo as ONG, metade nacionais, 50 mil romenos e os restantes da ex-Jugoslávia.

Fonte: Diario de Noticias Internacionais