quarta-feira, 8 de agosto de 2007

terça-feira, 7 de agosto de 2007

A VERDADEIRA HISTÓRIA DOS CIGANOS NO RIO DE JANEIRO

A Musica e a Danca na Cultura Cigana

Na música, os ciganos extravasam toda sua alegria, todo seu sentimento.
Na dança, comungam com a natureza.
Ciganas, para facilitar a interação Terra/Céu, dançam descalços.
Há uma variedade de danças: do lenço, do punhal, da fogueira etc.
O que se pode verificar, porém, é que a cigana, embora tenha movimentos aparentemente sensuais,
ela é pudica, e jamais veremos além de seus tornozelos nos seus rodopios e meneios.
Para evitar acidentes durante o bailado e coreografias,
as ciganas usam sobre-saias até em número de sete.
Daí, ciganas estereotipadas como as das novelas e filmes nada têm a ver com a realidade.
Na dança, o cigano procura desenvolver uma relação telúrica,
conectar-se com a natureza e deixar fluir para a superfície física do ser,
todos os sentimentos mais íntimos.
Assim, nota-se perfeitamente o sinal de êxtase de uma cigana
ao rodopiar e fazer seus movimentos gentis, ao sacudir seu pandeiro
ou ao som do atrito das castanholas.
Para o cigano, dançar é celebrar a vida, a existência e se ligar a Deus.


Texto da Obra de Assede Paiva
CIGANOS, TZIGANOS, GITANOS, BOÊMIOS,ZÍNGAROS... QUE SÃO ELES?

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Segregação ou inclusão?

Segregação ou inclusão?




Serafim Duarte, Militante , do Bloco , de Esquerda de Portugal

Erradicar as barracas e os bairros degradados, proporcionando condições de vida e de dignidade a todos, é, para além de um imperativo constitucional e uma obrigação do Estado, uma questão civilizacional.

Há uma semana, noticiava este mesmo jornal que o município de Pombal iria inaugurar um novo bairro social nas margens do Arunca, destinado em exclusivo ao realojamento de uma vasta comunidade cigana, considerada indesejável na cidade. As famílias ciganas reagem entre o júbilo e o protesto. Rejubilam por finalmente ter habitação condigna e protestam contra aquilo que consideram ser uma discriminação.

O novo bairro fica estrategicamente colocado fora da cidade, do lado de lá do IC2, sem ligação com esta. Até um túnel existente na zona terá sido devidamente encerrado. Assim se erguem os muros da segregação profiláctica e se fecham as pontes para a possível integração. Argumenta o presidente da Câmara que o realojamento deve evitar conflitos, pois haveria queixas contra a comunidade cigana.

A história da segregação dos ciganos é quase tão velha como a nacionalidade. Chegados a Portugal por volta do século XV, rapidamente seriam alvo de perseguições impiedosas em virtude do seu modo de vida e cultura diferenciadores. Ao longo dos séculos XVI, XVII e XVIII, vária foi a legislação anticigana que impunha aos homens o trabalho forçado nas galés e às mulheres a pena de degredo para as colónias de África e Brasil. Condenava-se o seu nomadismo, acusando-os de vadiagem, de se deslocarem em grupos e de praticarem furtos. A legislação procurou forçar os ciganos à sedentarização e consequente aculturação, tendo em vista a assimilação. Os resultados são conhecidos. Ainda hoje, muitas famílias ciganas persistem em manter as suas tradições culturais, onde avultam o dialecto romani, na Península, o caló, os trajes, as práticas matrimoniais endogâmicas, as solidariedades grupais e o reconhecimento da autoridade dos anciãos. A incompreensão, a discriminação e a segregação continuam como marca profunda na nossa sociedade.

Hoje como ontem, são os ciganos acusados de fomentar má vizinhança, comportamentos delituosos e marginalidade por vezes violenta. Estas são, aliás, acusações frequentemente feitas a outras comunidades, quer de origem africana ou de países do Leste quer de nacionais, habitantes de bairros económica e socialmente degradados. Os problemas de delinquência, marginalidade e violência não são uma especificidade de uma etnia, de um povo, ou de um estrato social. Exigem intervenção política e acompanhamento social a vários níveis.

O realojamento dos ciganos em bairros específicos, autênticos guetos, é o caminho mais fácil para alimentar a estigmatização e a exclusão social. Longe de diminuir a conflitualidade, antes a potencia, desde logo no seio das próprias comunidades isoladas. Pelo contrário, as práticas de dispersão por vários bairros facilitam a integração social destas comunidades.

Integrar não significa assimilar à força, mas respeitar a diferença no que ela tem de respeitável, compatibilizando-a com as exigências de uma vida moderna e de uma sociedade democrática. Desde logo é fundamental assegurar o direito à educação das crianças e jovens ciganos, apostando, nomeadamente, na formação e valorização de mediadores culturais, devidamente enquadrados e financeiramente apoiados. Igualmente importante é o acesso à formação profissional, ao emprego e, claro, à habitação, que tantas vezes lhes é negado.

serafim.duarte@sapo.pt

bairro da comunidade cigana inaugurado em Portugal



 Foto©DN
POMBAL PORTUGAL
Novo bairro da comunidade cigana inaugurado
O novo bairro de habitações sociais de Pombal que será exclusivo para a comunidade cigana foi, esta sexta-feira, inaugurado pelo secretário de Estado do Ordenamento do Território que garantiu não apoiar a criação de «enclaves». Esta população só vai para as novas casas em Setembro.

( 19:29 / 27 de Julho 07 )


O novo bairro social custou 3 milhões de euros, comparticipados em 50 por cento pelo Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana.

A urbanização localiza-se na outra margem do rio Arunca, onde os ciganos vão ficar isolados até que a Câmara de Pombal construa uma ponte para um acesso mais eficaz à cidade.

Rodrigo Emídio foi o primeiro a receber a chave da nova casa. Antes vivia mais perto do centro, mas agora vai ter melhores condições de vida.

«A alegria é tanta que não sei expressar-me. Sei que estou feliz», referiu.

Este homem não se importa de ir viver num bairro exclusivamente para ciganos, mas o vizinho considera que era melhor não estar isolado da comunidade local.

«Gostava mais para haver convivência, comunhão entre as pessoas, a vida do cigano mudar e tentarmos entrar na cultura», afirmou.

Narciso Mota, presidente da autarquia, adianta que as 55 famílias ciganas estão contentes e justifica a decisão de concentrar a comunidade alegando que já ocorreram «problemas noutros locais».

«Estão satisfeitos, tirando uma ou duas excepções, mas depois de estarem devidamente instalados, com o apoio que têm vindo a ter, vão sentir-se aqui completamente realizados sem qualquer tipo de problema», adiantou.

O Governo apoiou a obra e esteve presente na inauguração através do secretário de Estado do Ordenamento do Território. João Ferrão elogiou este novo bairro.

«Aquilo que poderá parecer hoje uma situação de enclave não será no futuro. Não queremos mais enclaves, porque temos experiência em Portugal e em todos os países do mundo desenvolvido que as situações de habitação que passam por enclaves dão sempre mau resultado», afirmou.

Por agora os ciganos deste bairro ficam sozinhos. A autarquia recorda que o terreno onde se construiu o novo bairro social foi oferecido pelos promotores da Urbanização das Cegonhas.

Uma das condições para essa oferta foi o fecho de um túnel de acesso à cidade, entretanto tapado, que levaria os ciganos a passar naquele empreendimento.