sábado, 11 de julho de 2009
Projeto Cidadania para Ciganos e Nômades Urbanos é lançado em Belo Horizonte
terça-feira, 26 de maio de 2009
Ciganos de Uberaba recebem atendimento
O assessor político, Rubério Santos, esclarece que a iniciativa de caráter social atende os ciganos do Jardim Ozanan e Jardim Planalto, uma vez que hoje a mesma acontece no assentamento Oneida Mendes, bairro Jardim Brasília.
A educadora social Sonaly Pereira enfatiza que essa ação tem o objetivo de elaborar um projeto e/ou plano de atenção à comunidade em específico, que, no caso, são os ciganos.
“Nós disponibilizamos à comunidade cigana, neste ‘Dia de Cidadania da Comunidade Cigana’, assistentes sociais, educadores, nutricionistas e membros da saúde para auxiliar as famílias nômades em quesitos de educação e saúde.”
A orientadora social acrescenta que foram regularizados os cartões de vacinação das crianças, passadas orientações sobre higiene bucal, dentre outras.
“O mais importante é o cadastramento ‘social’ das famílias, realizado para servir como a base do nosso futuro projeto de atenção especial à comunidade nômade”, completa Sonaly.
Entretanto, os ciganos do Jardim Planalto reivindicam “bicos” de água no local. “Nós não temos água e as mulheres têm de se deslocar até outros bairros para conseguir água para os nossos filhos”, conta o líder cigano Ricardo Alves da Silva.
O assessor político Rubério Santos explica que o terreno ocupado por esses ciganos é particular, e que por isso não se pode fazer ligação domiciliar de água na área.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Ciganos, um milênio de história
O que levou a interessar-me pela cultura cigana foi o entusiasmo com que ouvia quando
adolescente no final dos anos sessenta, juntamente com Mãe Toinha, em ondas curtas,
através da Rádio Nacional (Rio), a novela radiofônica de Janete Clair (1925-1983)
Aqueles Olhos Negros, romance entre os irmãos Vladimir (cigano) e Nadja aristocrata russa, que haviam sidos trocados por vingança quando nasceram. Em 1972 quando meus pais mudaram pela terceira vez para o município de Lauro de Freitas (grande Salvador), residia nas proximidades da cidade um bando de ciganos, seis ou sete famílias que habitam em casas. Cheguei a flertar uma linda ciganinha da comunidade local, mas os constantes olhares desaprovadores do pai me fizeram desistir da idéia. Ao lado de Celso Campinho e Timo Andrade estive em 1977 entre a equipe de produção do longa-metragem “Ciganos do Nordeste”, dirigido por Olney São Paulo, filmado na Bahia.
Em dezembro de 1985 conheci em Havana a numerosa família do cigano polaco Burtia Cuik, que se estabeleceu em Cuba em 1929 e falecera no ano de 1949. Casado com Terca (prima ucraniana) teve 19 filhos, todos nascidos sem exceção, em países diferentes. Levado pelas mãos do brasileiro Hélio Dutra (cidadão cubano), passamos boa parte da noite em companhia dos ciganos, conversando, ouvindo música e compartilhando da sua dança. Ao me despedir, oferecera-me um livreto sobre “a música e a dança cigana”. Na época Rogelio Sandin, descendente direto de Burtia estava preparando um livro sobre a saga de Burtia Cuik.
Anos mais tarde atendendo a solicitação do recente amigo, o maranhense Euclides Barbosa Moreira Neto, jornalista e cineasta, que conheci participando da XVI Jornada de Cinema da Bahia (1987), publiquei vários artigos entre setembro e dezembro do mesmo ano no jornal O Estado do Maranhão. Na época foi informado pela companheira Zoraide Vilas-Boas, jornalista da Rádio Educadora da Bahia – IRDEB, que se encontrava em São Luis participando do Festival de Cinema, organização por Euclides, que lera um longo artigo sobre os ciganos e sua cultura milenar. Da série dos artigos publicados no referido periódico, Euclides enviou: Zumbi, capitão dos Palmares e Fernando Pessoa. Outros textos foram publicados entre os quais aquele sobre os ciganos, que infelizmente fiquei sem cópia. Em 1996 já residindo em Aracaju, convidado por uma professora da UFS a participar de uma cerimônia nupcial cigana, que aconteceu no ajuntamento que ficava no bairro Rosa Else, retomei as leituras sobre os ciganos. Seja qual for o motivo o tema continua me fascinando.
Origem do Povo
A origem do cigano é desconhecida. Os estudiosos que procuram reconstituir a sua história afirmam que a sua primeira grande dispersão pelo mundo se deu a partir da Índia e que viveram por muito tempo no Egito antigo. Hoje eles podem ser encontrados em várias partes do mundo. Os próprios ciganos desconhecem a sua origem e a explicam por meio de mitos e lendas. Estas lendas se reportam às explicações cristãs de criação do mundo e destacam a sua origem pura, sem o pecado original, que contaminou os demais homens. Eles são os homens puros, em oposição aos não-ciganos. O seu nomadismo é explicado como predestinado por Deus, que não lhes deu uma terra, mas lhes concedeu o mundo todo para andarem livremente.
A história dos ciganos, assim como a conhecemos atualmente é breve: cerca de 1000 anos, e principia com seu aparecimento no Ocidente europeu. Pouco conhecido e pouco estudado no Brasil, os ciganos, entre nós, continuam cercados de “mistérios” decorrentes da incompreensão, do etnocentrismo e do preconceito. Quase nada sabemos dos acontecimentos anteriores à sua migração; nem mesmo se já eram nômades ou sedentários. A história do povo cigano é a história de um grupo que jamais fez guerras, nem aspirou ao poder, mas desde o início sofreu com a guerra de outros e foi muitas vezes perseguido.
Não há comprovação histórica de onde nasceram os ciganos. Alguns afirmam que a origem está na Turquia e de lá emigraram para o Egito. De acordo com o folclorista e estudioso Luis da Câmara Cascudo (1898-1986), saíram os ciganos da Índia, Sind e Pendjab, vagueando pelo Afeganistão, Pérsia, Armênia, Ásia Menor em fora, entretanto na Europa pela Grécia, derramando-se pela península Balcânica, vindo à Valáquia, Moldávia, Hungria, onde são notados em 1417. Surgem nas terras germânicas um ano depois e, em 1427, estão em Paris. Em 1447 chegam à Catalunha. Nesse mesmo século XV estão em Portugal. A sua popularidade levou o dramaturgo Gil Vicente (1465-1536) escrever o Auto das Ciganas (1521), onde os personagens Martina, Cassandra, Giralda e Lucrecia confabulam em mal castelhano, diante do Rei D. João III, no seu Paço de Évora, no ano de 1521.
Chegada ao Brasil
O mais antigo documento conhecido no Brasil, em que figura um cigano que aqui aportara com mulher e filhos é um alvará de D. Sebastião, de 1574, que troca a pena de galés de João de Torres por exílio. Acredita-se que os ciganos começaram a vir para o Brasil nos séculos XVI, XVII e XVIII. Os primeiros eram degredados para a Bahia e Minas Gerais (Congonhas do Campo) foram os primeiros centros de concentração, ao tempo da colônia. Em 1718 chegam à Bahia as primeiras famílias ciganas. O Senado da Câmara deu-lhe para morada um trecho da Freguesia de Santa’Ana, perto da Palma, que passou a ser conhecido como Santo Antônio da Mouraria. Da antiga ocupação, não há atualmente nenhum vestígio, nem mesmo em outros pontos da cidade do Salvador.
Em 1710, os ciganos foram vitimas de violenta perseguição. As autoridades perceberam que os ciganos era um grupo homogêneo, unido, com uma só língua, com usos e costumes próprios, e por isso poderiam tornar-se uma força e um perigo. O decreto de 11 de abril de 1718 chamava à atenção das autoridades locais para o policiamento das atividades dos ciganos: “foram degredados os ciganos do reino para a Praça da Cidade da Bahia, ordenando-se ao governador que ponha cobro e cuidado na proibição do uso de sua língua e gíria, não permitindo que se ensine a seus filhos, a fim de obter-se a sua extinção”. Os povos ciganos que ainda resistem, procuram as estradas. Em 1726 e 1760 bandos de ciganos foram assassinados em São Paulo e, por decisão do Senado da Câmara, expulsos da cidade.
O Barão de Eschwege (1777-1855), militar, engenheiro e naturalista alemão, após ter trabalhado em mineralogia na Alemanha, passou a serviço de Portugal, vindo para o Brasil por ocasião da transferência da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, narra a participação entusiasta de um grupo cigano na comemoração pública quando do casamento da Princesa D. Maria Teresa, primogênita do Príncipe Regente, com seu primo, Infante de Espanha, D. Pedro Carlos, a 13 de maio de 1810. Eschwege informa: “Os ciganos foram convidados para as festas dadas na capital brasileira por ocasião do casamento da filha mais velha de D. João VI com o Infante espanhol. Os moços desta nação, trazendo à garupa suas noivas, entraram no circo montando belos cavalos ricamente ajaezados. Cada par pulou no chão, com incrível agilidade, e todos juntos, executaram os mais lindos bailados que eu jamais vira. Todos só tinham olhos para as jovens ciganas e os outros bailados que também executaram parecendo ter tido por único fim fazer sobressair os dos ciganos como os mais agradáveis”.
O historiador e médico baiano Mello Moraes Filho (1843-1919) que desenvolveu vários estudos etnográficos e folclóricos, em crônica “Um casamento de cigano em 1830” publicado em Festas e Tradições Populares do Brasil (1901) diz que: “Nessa época muitíssimos era os ciganos aqui residentes, entregando-se ao comércio de escravos e cavalos, empregados no foro e em vários misteres, todos porém constituídos em sociedade à parte, onde mantinham, sem a menor quebra de lealdade, as suas tradições e os seus preconceitos de raça”. O desenhista e pintor francês Jean-Baptiste Debret (1768-1848), cuja obra é de grande valor para o estudo da história do Brasil no início do século XIX, integrou a missão artística francesa que veio ao Brasil em 1816, permanecendo por 15 anos, exercendo intensa atividade didática, escreveu e ilustrou “Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil” em três volumes (1834-1839) documentários sobre a natureza, o homem e a sociedade fluminense no princípio do século XIX.
Durante sua estada em nosso país (1816-1831), Debret retratou-os e sobre eles deu o seu depoimento, afirmando que caracterizavam “tanto pela capacidade como pela velhacaria que põem no seu comércio exclusivo de negros novos e de escravos civilizados”, informando que “os primeiros ciganos vindos de Portugal desembarcaram na Bahia, e se estabeleceram, pouco a poço, no Brasil, conservando nas suas viagens, as habilidades do povo nômade”. E contaminado, ele também, pelo preconceito, afirma: “Esta raça desprezada tem por hábito encorajar o roubo e praticá-lo; roubam sempre alguma coisa nas lojas onde fazem compra e, de volta para casa se felicitam mutuamente por sua habilidade repreensível”. No Rio de Janeiro eles se instalaram na Rua dos ciganos (atual Rua da Constituição) até 1808, quando procuraram outras localidades mais próximas das estradas do interior, levados pelo seu comércio de ouro e de cavalos.
Perseguições
Os ciganos sofreram, ao longo do tempo, muitas perseguições. No século XVI, na Inglaterra, eram de tal modo mal vistos que todos aqueles que com eles se relacionassem corriam o risco de ser condenados à morte e ter seus bens confiscados, sem direito a julgamento. Na Europa Central, nos séculos XVII e XVIII, foram também perseguidos, de modo implacável, em vários estados. Desde 1933, a imprensa nazista começou a acentuar que os ciganos e judeus eram raça estrangeira, inferior, e que teriam “contaminado” a Europa com o um corpo estranho.
As autoridades nazistas, com o apoio da generalizada antipatia contra os ciganos, puderam facilmente percorrer a via do extermínio desse povo. A 17 de outubro de 1939, quando Heydrich, a mando de Hitler, proibiu-os de abandonar seus acampamentos. Três dias depois, após recenseamento, foram transferidos para campos de concentração, esperando serem enviados à Polônia. A última e mais cruel perseguição por eles sofrida foi, contudo, a determinada pelo governo nazista da Alemanha, quando se calcula que, em conseqüência, 10 por cento da população cigana de todo o mundo foi exterminada nos campos de concentração, entre os fins da década dos 30 e os da II Grande Guerra.
Cultura
Essencialmente nômade até hoje os ciganos vive pelo mundo, conseguindo sustentar-se basicamente do comércio. Devido à violência, as facilidades do mundo moderno, como as estradas asfaltadas e a necessidade de educar os filhos, tem tornado este povo sedentário, instalando-se com as famílias em cidades próximas as metrópoles. A tendência de todo cigano é fixar residência, não há mais lugar para o povo estar caminhando. Uma das justificativas para o sedentarismo é a perseguição social que o povo sofre, há quem ainda pense que todo cigano é ladrão ou gente que não presta.
Os ciganos têm um dialeto próprio denominado de shibi. Os grupos não têm certeza da origem da língua, entendida apenas por ciganos e ensinada pelos mais velhos aos mais novos que se interesse em aprendê-las. Acredita-se que a língua é de origem hebraica, com algumas variações incorporadas pelos próprios ciganos. Há indícios de cerca de 400 mil ciganos falam uma língua própria, o romani, e muitos outros falam dialetos dela, como o calo e o sinto. Esse povo alegre, que gosta de festas entre os grupos, falantes, gostam de gesticular muito, sem falar na hospitalidade, quando passam a conhecer o interlocutor, já que são extremamente desconfiados. Habilidosos, muitos homens usam a ourivesaria como meio de vida.
Qualquer cigano sabe cantar e tocar. Sua música não tem pressa de se exprimir, nem tampouco precisa dizer logo tudo e abruptamente. Os ciganos gozam universalmente de fama de músicos natos, e isto não se aplica apenas aos ciganos húngaros, mas também aos que vivem na Turquia e na Romênia. Os ciganos são logo reconhecidos pelas características próprias com que se apresentam (forma de vestir, de morar, o seu trabalho e a sua grande mobilidade). Eles têm os seus modos diferentes de vida, mas são pessoas iguais a qualquer outra, e precisa ser respeitadas também a individualidade do povo.
No Brasil, os ciganos são encontrados morando em casas, muitas delas luxuosas, ou em acampamentos de barracas. Alguns grupos se dedicam ao trabalho de fabricação, reparo e venda de utensílios de metal, enquanto outros se dedicam ao comércio e outras atividades correlatas. Alguns se apresentam muito ricos, fazendo uso de carros do último tipo, ostentando jóias de ouro, e outros são vistos como muito pobres, sujos, sem casas, adivinhos de sorte ou pedintes.
Referencia
Site Cinform
Contatos através do email: gilfrancisco.santos@gmail.com
segunda-feira, 16 de março de 2009
Hungria vive uma escalada de ódio contra os ciganos
A escalada do ódio na Hungria contra os ciganos é preocupante e o sistema legal não basta para frear as cada vez mais frequentes mostras de racismo que causaram a morte de sete pessoas da etnia romani.
Essa é a conclusão de cinco ONGs, entre elas a União para as Liberdades Civis (TASZ), cujo representante, Balázs Dénes disse à Agência Efe que o que acontece no país é um verdadeiro "pogrom" (termo da língua russa que designa ataque maciço contra uma minoria étnica) contra os ciganos.
Em um ano as autoridades húngaras registraram mais de 50 atos violentos contra a população romani, que causaram a morte de sete pessoas, segundo dados da TASZ.
O último caso foi em fevereiro na aldeia de Tatarszentgyörgy, palco do assassinato de um cigano e de seu filho de cinco anos, que foi outro elo na cadeia de violência suscitada contra esta etnia.
Dénes ressaltou que nesta situação é de suma importância que o presidente da República, László Sólyom, dê um passo simbólico, como sua participação no enterro das vítimas.
A Polícia, após dias de pesquisas, admitiu que os ataques contra ciganos estão relacionados entre si e que possivelmente se trate de um mesmo círculo de criminosos.
György Ligeti, analista da Fundação Kurt Lewin - Pela Tolerância, explicou que a experiência geral é que em períodos de depressão econômica a maioria tende a culpar as minorias pelos problemas vividos pelo país.
Acrescentou que devido ao fato de muitos ciganos viverem na miséria, aumentou a possibilidade de que alguns se transformem em "delinquentes de sobrevivência". Isto irrita a maioria, que passa também por problemas existenciais, e que em muitos casos tacha todos os romanis de delinquentes.
Os partidos e organizações de extrema direita, que formam "uma muito pequena minoria, mas muito visível", são capazes de se aproveitar desta situação, quando falam do "crime cigano", tal como fazem o partido Jobbik e a Guarda Húngara (organização que reúne extremistas).
A situação é tão grave que a Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância do Conselho da Europa, e a secretaria de Exteriores americana criticaram a Hungria pelo aumento do racismo no discurso público.
O comissário europeu de Emprego e Assuntos Sociais, Vladimir Spidla, destacou que na Hungria e outros países-membros da UE "os ciganos se transformaram no alvo de ataques racistas".
Na Hungria, que conta com 10 milhões de habitantes, vivem, segundo alguns cálculos, cerca de 600 mil ciganos, cuja integração é uma tarefa pendente desde a queda da Cortina de Ferro, em 1989.
"Os partidos se aproveitam da situação antes das eleições, só para aumentar o número de votos", assegurou Ligeti.
Por sua parte, Anikó Bernát, socióloga do Instituto Tárki, opinou que se trata de um longo processo de 20 anos, já que os Governos da transição política não foram capazes de abordar o tema com a profundidade necessária.
"O desemprego e a miséria são problemas que caracterizam a situação social de uma grande maioria da população cigana na Hungria, até o ponto que agora cresce uma segunda geração romani que não viu seus pais trabalharem", acrescentou Bernát.
Por sua vez, o defensor público para as minorias, Ernö Kállai, em discurso perante o Parlamento pediu "um plano de paz étnico" e responsabilizou a elite política pelas relações tensas entre os diferentes grupos sociais.
As últimas pesquisas publicadas pela revista "HVG" mostram que o apoio ao partido radical-nacionalista de direita, Jobbik, que mobiliza com seu discurso de ódio alguns setores da população, já alcança, pela primeira vez, o limite mínimo de 5% para poder entrar no Parlamento.
Angela Kóczé, especialista do Centro Europeu pelos Direitos dos Ciganos, com sede em Budapeste, explicou que a aparição da Guarda Húngara, uma formação inspirada nos movimentos fascistas húngaros, "serve de instrumento de legitimação" para muitos que até agora não se expressavam contra os ciganos.
"Na creche de Szikszó (leste do país), onde temos um projeto, as professoras impõem a ordem entre as crianças ciganas ameaçando-as com a Guarda Húngara", ressaltou a pesquisadora.
Apesar de Kóczé opinar que a situação atual é dramática e pode ter consequências imprevisíveis, ela ressalta que esta crise social poderia criar as condições para repensar as estruturas e a convivência entre ciganos e húngaros.
quinta-feira, 5 de março de 2009
Ciganos potiguares lutam contra os preconceitos

Ciganos no Rio Grande do Norte lutam por reconhecimento social. Documento essencial na formação da cidadania de qualquer pessoa, a certdão de nascimento é difícil de ser concedida aos ciganos nascidos no Brasil. A denúncia é do jornalista e psicólogo Zarco Fernandes, diretor do Centro de Cultura Cigana de Minas Gerais, que passou o final de semana em Natal para iniciar um trabalho de mapeamento deste povo no estado. ‘‘O cigano enfrenta uma tremenda burocracia e preconceito quando vai requerer a sua certidão de nascimento. Pedem uma série de comprovações, como o CEP, por exemplo, que não são condizentes com estilo de vida nômade que é próprio desse segmento’’, disse ele. Zarco (nome cigano), cujo nome de registro é Marco Fernandes, falou que no município de Tangará dois jovens tiveram que mudar o nome de sua banda porque ele o adjetivo ‘‘cigano’’. ‘‘Não lembro exatamente o nome, mas era alguma coisa como ‘Grupo Cigano’ ou ‘Amor Cigano’. Enfim, eles foram alvo de preconceito porque o nome, segundo alguns contratantes, passa a ideia de desonestidade ou falta de compromisso’’, declarou Fernandes. ‘‘Isso é um crime terrível porque obriga o ser humano violar o que ele tem de mais precioso: a sua cultura’’, desabafa o jornalista. Ele admite que o preconceito diminui um pouco em relação ao passado recente por causa dos programas de inclusão social promovidos pelo governo federal. De acordo com Fernandes, o cartório exige um documento comprovando o nascimento da criança e que os pais apresentem documentação de identidade. ‘‘Ora, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sequer consultou um antropólogo para saber que nem pais nem avós vão ter esse registro. Pedem um código de endereçamento postal sem se darem conta de que a barraquinha do cigano não é vista como domicílio, ao contrário do barraco de um traficante, por exemplo’’. Nascido em Natal, Zarco Fernandes saiu da cidade adolescente, já morou no Rio de Janeiro e hoje mora em Belo Horizonte, onde hoje atua como psicólogo clínico. ‘‘Já denunciei essa calamidade contra a cultura cigana em audiência públicas mas o estado de coisas continua o mesmo. Na luta do rochedo contra o mar, sobra para o marisco, que é o cigano nessa história’’. Ele também afirma que ‘‘criando dificuldades’’, os cartórios alimentam uma cadeia de corrupção. ‘‘Eles dizem que não podem registrar os ciganos por falta de documentação mas por mil e quinhentos reais resolvem o problema. É totalmente contrário à determinação do governo federal de acabar com o sub-registro civil’’. ‘‘Por puro preconceito’’, alega ele, a maioria dos brasileiros não sabem ‘‘que já tiveram um presidente cigano’’, referindo-se a Juscelino Kubitschek. Fernandes diz que vai lançar um livro provando a ciganeidade do ex-presidente. ‘‘É um cigano com origem na Tchecoslováquia, cujo avô, um negociador de tropas de burros, era do grupo Calom (umas das três principais descendências ciganas). Mas a sua filha filha exigiu que a ciganeidade dele não fosse citada na mini-série da Rede Globo’’. ‘‘Ninguém sequer cita que temos dois imortais na Academia Brasileira de Letras de origem cigana, que Cecília Meireles e Castro Alves eram ciganos. Na Inglaterra, quatro pessoas que receberam o título de ‘Sir’ da rainha são ciganos: Charles Chaplin, Roger Moore, Sean Connery e Richard Burton’’, cita o psicólogo. Fernandes diz não saber a quantidade de ciganos no Rio Grande do Norte, mas afirma que em Minas Gerais eles são aproximadamente 492 mil. Ele cobra do governo e prefeitura empenho e atenção para mapear a população cigana potiguar, que ele diz serem da descendência Calom, a mais pobre. ‘‘Há linhagens de ciganos muito ricos, andam em carros luxuosos, mas não é o caso dos que estão no Nordeste brasileiro’’, explica. ‘‘Espero que seja um passo importante na inclusão social do cigano, cujas polítcas públicas estão muitas atrasadas em relação a outros países. É um povo que já mostrou sua pujança ao enfrentar uma série obstáculos e perseguições ao longo da história’’, finalizou.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Mocidade Fantastica Vila Alice 2009
E' Com Alegria Que a Escola de Samba do ABC Paulista traz como Tema
deste Carnaval de 2009 os "Ciganos", o Samba enredo e os carros alegoricos, fantasias
prometem levar ao publico a Historia deste Povo.
A Escola tambem separa uma ala em Homenagem aos ciganos e convoca-os a comparecer
e serem homenageados na avenida desfilando junto a Escola no dia 22 Fevereiro as 23:00.
Segue Video com o Hino Da Escola e Imagens inerentes ao mesmo.
A Quem Interessar entrar em contato com o Cigano Silveira, um dos organizadores da
Escola no Telefone (11) 94562351
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Chanel aposta em mulher-cigana no verão 2009
A mulher de Chanel será uma cigana no verão de 2009
PARIS (AFP) — A mulher de Chanel será uma cigana no verão de 2009, segundo a coleção de prêt-à-porter proposta nesta sexta-feira por Karl Lagerfeld, enquanto Jean-Charles de Castelbajac homenageou Barak Obama em um de seus minivestidos com lantejoulas, em um desfile alegre e colorido.
"Adoro a música. Depois de tudo, Chanel (Coco) teve uma aventura com Stravinsky, e eu tenho um caso com um violão", disse Lagerfeld aos jornalistas reunidos no Gran Palais de Paris, onde aconteceu o desfile.
"Chanel sempre fez vestidos esvoaçantes como estes. Ela chamava isso de cigana, é muito Chanel", afirmou o estilista, referindo-se às saias e vestidos longos vaporosos que predominaram na coleção.
No desfile, as modelos saíam de um cenário que reproduzia o edifício da maison Chanel, na parisiense Rue Cambon, como se tivessem acabado de comprar suas roupas e decidido dar um passeio.
Lagerfeld também pensou nas mulheres que preferem as saias mais curtas, com jaquetas em preto e branco e em tweed. Sapatos altíssimos decorados com plumas e meias opacas, que ficam transparentes na altura dos joelhos, complementam a produção.
"Assim, cobre-se o joelho, que era o ponto fraco para Coco Chanel. Isso se chama uma meia à francesa", explicou Lagerfeld, cujo desfile teve várias VIPs na platéia, como as atrizes Milla Jovovich e Laura Smet, a modelo Claudia Schiffer e a mulher do ex-presidente francês Jacques Chirac, Bernadette.
Já Castelbajac propôs uma coleção que não tem espaço para a tristeza. Com um cenário de um céu azul cheio de nuvens brancas, mostrou uma coleção alegre, com vestidos estampados com pequenos ladrilhos coloridos, como nas construções infantis, capas de plástico transparente e minivestidos de lantejoulas com efígies.
Entre eles, destacava-se o rosto do candidato democrata à Casa Branca, Barak Obama, o que provocou aplausos do público.
"Em um mundo onde há cada vez mais pobres, um mundo cheio de catástrofes, quis dar outro impulso", declarou Castelbajac, acrescentando que "não se trata de ter encontrado o luxo como resposta, mas sim que a verdadeira resposta é encontrar um sentido".
"Em meio a esse sentido, ponho minhas convicções: a esperança de um mundo melhor. Por isso, mostro Obama, a beleza (...) e o humor, porque, para sobreviver hoje em dia, é preciso ter muito humor", completou.
Na casa Valentino, Alessandra Facchinetti desvestiu, com elegância, a mulher do verão de 2009, propondo várias bermudas muito fluidas sob jaquetas leves, assim como vestidos bem curtos, e outros com mangas curtas franzidas, além dos longos cordões marcando a cintura.
Cinturões-jóia, entrelaçados de lantejoulas, ou de flores de cristal, sobre uma jaqueta preta deram o toque de sofisticação.
Fonte AFP Noticias 03/10/2008