quinta-feira, 30 de agosto de 2007
Sugestoes Para o Ensino Basico
Logo abaixo um Link de um livro em Formato PDF , trata-se de
um livro de apoio a educadores para atividades em Sala de Aula.
quarta-feira, 29 de agosto de 2007
Thierry Robin - Música Cigana de Primeira

Thierry Robin, bretão, de alma cigana, é um músico de real excepção. Pertence à restrita casta de exímios improvisadores de cordas e de delicados artesãos que embelezam a sua arte com infinitos rendilhados. Além de exímio executante de alaúde, bouzouki e guitarra, que o coloca num pedestal semelhante ao do sueco Ale Möller, do grego Ross Daly, ou de um outro francófono - Patrick Vaillant –, Robin é um verdadeiro alquimista da composição, um Merlin dos tempos modernos, que consegue juntar, num único caldeirão, as músicas ciganas que vão de Espanha à Ásia Central, passando pelos Cárpatos e pelo Báltico. A sua poção mágica torna um qualquer Assurancetourix (o irritante bardo da aldeia gaulesa de Astérix) num tenor peso-pesado romano. É notável como o flamenco, que parece um género musical confinado à Península Ibérica, é a locomotiva através do qual Robin e os seus músicos efectuam uma enriquecedora viagem sem freios, pela linha do Oriente. A guitarra e o alaúde de Robin, a divina voz cigana (de flamenco) do espanhol Pepito Montealegre, que chega a roçar o céu qwwalli e a fazer a devida vénia ao mestre Nusrat, quebram fronteiras terrestres. A combinação perfeita destes elementos com percussões afro-latino-americanas-e-arábico-andaluzes (com destaque para o cajon e “ocean drum”) de um talentoso instrumentista brasileiro Zé Luís Nascimento e com o acordeão de Francis Varis algo “brastchtiano”, contaminado quer pela delicadeza melódica da bal musette francesa (pouco), quer pelo desvario cigano dos balcãs (muito), constituem a fórmula de uma música que viaja livremente como o ar, através do tempo e da geografia.
A Cigana
Na distância vi seu vulto desaparecer
Nunca mais seu rosto eu pude ver
Na distância vi seu vulto desaparecer
Nunca mais seu rosto eu pude ver
Uma vez você apareceu na minha vida
Eu não percebi você de mim se aproximar
Não sei de onde você veio e nem perguntei
Talvez de alguma estrada que eu ainda não passei
Seu olhar me disse tanta coisa num momento
Parecia que podia ler meu pensamento
E no seu sorriso mil segredos percebi
Então nos seus mistérios de repente me perdi
Minha mão você tomou nas mãos e conheceu
Minha vida inteira e o seu encanto me envolveu
Toda minha história leu nas linhas que mostrei
O que estava escrito e o meu amor eu lhe entreguei
Hoje você anda por lugares que eu não sei
Vive nos meus sonhos e nas lembranças que guardei
Disse tanta coisa quando leu a minha mão
Roberto Carlos 1973
Ciganos sao os mais rejeitados na Argentina
Argentina: Brasileiros são ''estrangeiros preferidos'' de estudantes, diz pesquisa
Mais de 50% dos adolescentes entrevistados rejeitam judeus, chineses e bolivianos.
Márcia Carmo - BBC -de Buenos Aires
Uma pesquisa inédita realizada com estudantes na Argentina revelou que os brasileiros são os estrangeiros mais aceitos do país.
Segundo o estudo, feito para avaliar a xenofobia entre os estudantes, os brasileiros tiveram maior índice de aceitação (52%) e menor índice de rejeição (30%) numa lista de doze diferentes grupos de estrangeiros.
A pesquisa, que ouviu 5 mil estudantes do segundo grau de 85 escolas públicas de várias províncias do país, foi realizada pelos sociólogos argentinos Ana Lia Kornblit e Dan Adaszko, do Instituto de Investigação Gino Germani,
da Universidade de Buenos Aires (UBA).
Em entrevista à BBC Brasil, Adaszko disse que os resultados da pesquisa surpreenderam pelo alto nível de "xenofobia",
com percentuais preocupantes, por exemplo, de rejeição a ciganos (67%), judeus (55%), chineses e coreanos (52%) e bolivianos (52%).
Os estudantes receberam listas com as nacionalidades e grupos e três opções de respostas - aceitação, rejeição e indiferença.
Mais de 40% dos estudantes rejeitaram os peruanos, chilenos, paraguaios, americanos e árabes.
Os brasileiros são uma exceção nesta lista, como disse Dan Adaszco: "Acreditamos que, diferente dos outros
grupos de estrangeiros, citados na pesquisa, os brasileiros não são vistos como uma ameaça
no mercado de trabalho local", afirmou.
"Além disso, há a imagem positiva do carnaval, das férias nas praias brasileiras e o reflexo do que sai na imprensa
argentina sobre o Brasil e os brasileiros", completou Adaszco.
Para ele, a pesquisa confirma a fama de "xenofobia" em setores da sociedade argentina. "Nós entendemos que os adolescentes são um reflexo do mundo dos adultos e têm coragem de dizer o que os adultos não dizem", afirmou.
Apesar da fama, Adaszko se disse surpreso com o alto grau de rejeição, de mais de 50%, em relação a ciganos, judeus, chineses e bolivianos.
Segundo o estudioso, existe um "discurso duplo" na Argentina por ser um país que abriu as portas para a imigração, mas não de forma igualitária. "Para muitos, especialmente nos grandes centros urbanos do país, o ideal e aceitável é o europeu e o branco e não o nativo da América Latina", avaliou.
"O latino é visto aqui com desconfiança e até desprezo". Segundo ele, a pesquisa mostrou ainda que o índice de "xenofobia" e "racismo" diminui a medida que aumenta o nível de educação dos pais. "Não é questão de classe social, mas sim que depende do nível de educação dos pais dos estudantes adolescentes", disse.
Na Argentina, no final do século 19 e início do século 20, as principais imigrações foram italiana e espanhola. Nos anos 90, segundo dados oficiais da Direção Nacional de Migrações da Argentina, a maior imigração partiu dos países da região como Bolívia, Peru e Paraguai - os brasileiros são minoria nesse grupo.
A pesquisa de opinião recebeu o Prêmio Ibero-americano em Ciências Sociais da Universidade Nacional Autônoma do México e será premiado, nesta terça-feira, pelo Instituto Nacional contra a Discriminação, a Xenofobia e o Racismo (INADI) da Argentina.
Fonte Estadao http://www.estadao.com.br/geral/not_ger42257,0.htm#1104209997eFfVRq-RGpD40QGS_Z3oBw
terça-feira, 28 de agosto de 2007
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
Juscelino Kubitschek
JK
O Presidente que modernizou o Brasil. Seu lema: cinqüenta anos em cinco
Ou declareis que a árvore é boa e o seu fruto é bom,
ou declareis que a árvore é má e o seu fruto é mau.
É pelo fruto que se conhece a árvore. Mt 12,33
Nosso grande ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira (JK) era descendente de cigano?
Afinal, onde está a verdade? Temos grande respeito por nossos antepassados e não entendemos porque em certas condições baixam uma cortina de silêncio e se recusam a falar sobre um tema tão relevante: nossa genealogia. No caso de JK não se consegue ir além de seus bisavôs. Por que? Será desonra ser descendente de cigano? JK nunca se pronunciou a respeito, sua família também não. Achamos que este é o momento oportuno de deslindar esta questão. Confesso desde já não trazer novidades, meu interesse maior é que os historiadores e familiares façam um definitivo esclarecimento. Aqui vamos registrar apenas o que muitos já disseram e apresentaram indícios de que nosso JK e grande presidente tem raízes na antiga Tchecoslováquia (hoje República Checa), lá em Trebon. Então vamos aos que tiveram coragem de emitir opiniões sobre nosso querido presidente seresteiro.
Em História dos ciganos no Brasil, Rodrigo Corrêa Teixeira1 (inédito) nos informa que, para o Brasil, vieram ciganos ibéricos e não-ibéricos, ou seja, calom e rom respectivamente. O rom2 que aqui chegou mais cedo teria sido Jan Nepomuscky Kubitschek, que trabalhou como marceneiro no Serro e em Diamantina. Casou-se com brasileira. Em seu matrimônio com Teresa Maria de Jesus Aguilar, teve três filhos. O primeiro foi João Nepomuceno Kubitschek, que viria a ser um destacado político; o segundo, Carlos Kubitschek e o terceiro foi Augusto Elias Kubitschek, um comerciante com escassos recursos, que viveu toda sua existência em Diamantina; casado com Maria Joaquina Coelho. Uma de suas filhas: Júlia Kubitschek, casou-se com João César de Oliveira e foram os pais de Juscelino Kubitschek3 (1902-1976), que depois se tornou presidente do Brasil. A árvore genealógica de JK, até o bisavô, está no site
O jornalista Luís Nassif, em artigo publicado pela Folha de São Paulo, em 15 de setembro de 2002, assim se refere a JK:
“... Moreira Salles [embaixador e banqueiro] o considerava um ‘cigano’, sem compromisso com idéias, partidos e grupos, e bastante vulnerável a amizades pouco selecionadas”.
O definitivo depoimento sobre a origem cigana de Juscelino foi feito por João Pinheiro Neto (jornalista, ex-Ministro de JK), às entrevistadoras: Aspásia Alcântara Camargo, Helena Maria Bousquet Bomeny e Maria Luísa d’Almeida Heilborn, para o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), de onde extraí este texto ipsis litteris:
Como o senhor definiria Israel Pinheiro? [Pergunta das entrevistadoras].
“O Israel basicamente é um grande capitão de obras, um grande construtor, um grande realizador, também sem nenhuma preocupação de ordem ideológica. Um pragmático parecido com o Juscelino em muitos pontos, menos na simpatia pessoal. Se bem que quando o Israel queria também era simpático; mas o Juscelino era sempre simpático. O Juscelino era um cigano. Quando fui à Tchecoslováquia perguntei se havia Kubitschek lá. Aliás, a D. Sara já tinha estado lá e visto no catálogo que há centenas de Kubitschek. Ele era da Boêmia, daí gostar de violão, de música, de dança, de mulher.”
Mônica Buonfiglio, escritora, dá este depoimento, O cigano Juscelino Kubitschek:
Juscelino Kubitschek nasceu a 12 de setembro de 1902, em Diamantina (MG), era descendente de ciganos. O bisavô materno de JK (tcheco cigano) desembarcou no Brasil em 1830. O pai João César era caixeiro-viajante e morreu de tuberculose quando ele tinha dois anos. Dona Júlia, sua mãe, era professora primária, tratando de educar Nonô (apelido usado em casa) de maneira rígida.
É uma pena que JK pouco se manifestou sobre o fato de ser cigano (além dele, vários outros ciganos ocuparam posição de destaque no Brasil, como Castro Alves, Cecília Meireles entre outros). Embora não mencionada em sua biografia, esta afirmação tem apoio de antropólogos, historiadores brasileiros e europeus que se basearam em relatos orais de amigos ciganos residentes em Contagem (MG). Juscelino só falava sobre ciganos na presença de outros ciganos.
A Revista Gula http://www.2.uol.com.br/gula/reportagens/119_lucinha.shtml nos apresenta esta reportagem:
JK, o presidente bom de garfo:
Elegante, sorridente, pé-de-valsa, político brasileiro dos anos dourados, era um amante fervoroso da comida. O marido de dona Lucinha [a cozinheira de JK], ex-prefeito de Serro e fã incondicional de JK, conhece cada detalhe da vida de seu ídolo, incluídas datas, frases e personagens envolvidos nos eventos. [...] “Ele era quase conterrâneo. Seu bisavô, cigano, e seu avô, João Alemão, nasceram e viveram no Serro”.
Em seqüência, tenho em mãos um artigo publicado pelo Centro de Cultura Cigana (CCC), em Juiz de Fora que diz em resumo:
“Com a palavra de abertura, o deputado espanhol Juan de Dios Ramirez Herédia afirmou: Os políticos brasileiros, em particular os de Minas Gerais, têm o dever de abraçar com orgulho esta causa. Afinal o Brasil é o único país do mundo que pode orgulhar-se de ter tido um Presidente da República cigano: o mineiro Juscelino Kubitschek”.
O artigo citado continua com esta afirmação peremptória:
“... a decisão de construir Brasília passou por uma ‘consulta’ debaixo de uma tenda cigana, no bairro de Mesquita, a Lhuba Stanescon...”
Num artigo escrito por Zarco Fernandes, presidente do CCC, em Juiz de Fora, ele finaliza o extenso trabalho com esta frase que seria de JK e dita a amigos, em São Lourenço (MG), em 25 de fevereiro de 1972:
“Tenho uma imensa tristeza muito dificilmente revelada: a de nunca ter podido declarar-me cigano”.
Mas Zarco (Marcos Fernandes), o presidente do CCC é incansável; eis o que me enviou por e-mail:
“ ... Quero concluir minha afirmativa (JK era cigano) com uma citação contida no Jornal do Brasil de 7 de dezembro de 2001. As páginas 4 e 5 do referido periódico, trás matéria especial sobre a Academia Brasileira de Letras. Com título POR QUE, AFINAL, A ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS SEDUZ TANTA GENTE? Lemos: “A Academia já utilizou critérios de bajulação do poder, quando elegeu o presidente Getúlio Vargas, e também deixou de escolher outro — Juscelino Kubitschek, então em desgraça com a ditadura militar, preterido por um escritor puro-sangue, Bernardo Élis...”
Ainda em reforço à tese da ciganidade de JK, adiciona nosso presidente do Centro de Cultura Cigana, em Juiz de Fora:
“Na Revista “Manchete no 2.085, de 21 de março de 1992, lemos nas páginas 66 a 71, reportagem de Claudia Lobo (Rio), Durval Ferreira (São Paulo) e Marcos Achiles (Brasília), matéria sobre os ciganos e sua participação no carnaval daquele ano, no qual a escola de samba UNIDOS DO VIRADOURO homenageou o presidente JK, com o enredo “...e a magia da sorte chegou. Composição: Heraldo Faria, Flavinho Machado e Gelson Rubinho, (transcrição a seguir). Em determinado trecho da reportagem lemos: O enredo serviu para mostrar aos gajões que o Brasil já teve um presidente da Republica cigano.”
Uma estrela brilhou
Brilhou, brilhou, brilhou
Tão cintilante que os magos iluminou.
Será o novo sol da amanhã? Do amanhã.
O arco-íris da aliança que não se apagará
Vem do Oriente com sua arte de criar,
Na palma da mão lê a sorte
Com a magia do seu olhar.
Chegando ao velho continente
Á marca da desilusão,
Castigo, degredo, açoite,
Por que tanta discriminação?
A cada passo, a poeira levanta do chão.
Ferreiro, feiticeiro, bandoleiro.
A liberdade é sua religião
E vem chegando o dono desse chão.
No berço, a mão do menino
Abriu-se ao destino, eis a nova Canaã
Ê, ê, cigano, bandeirante em busca de cristais
Canta, dança, representa
Da vida a nossos laços culturais.
Cigano-rei, mineiro iluminado
O mundo não vai esquecer,
Plantou no solo brasileiro
A realização do amanhecer
É uma Nova Era, ô, ô, a magia da sorte chegou
O sol brilhará,
Surge a estrela-guia
E sob a proteção da lua
Canta Viradouro,
Que a sorte é sua.
À Jordana Aristich, cigana, divulgadora da cultura cigana, lhe perguntaram:
O ex-presidente Juscelino Kubitschek tinha mesmo descendência cigana?
Jordana — Sim, pena que não esteja vivo para ele mesmo manifestar-se a respeito.
A revista Planeta, no 216, de setembro de 1990, p. 24, publica o artigo Ciganos, um povo na encruzilhada de autoria do jornalista Romeu Graziano, quando ele cita ipsis litteris:
“... na galeria de ciganos ilustres encontramos o presidente Juscelino Kubitschek”..
A notícia publicada no http://democracia.com.br/participe/partnoticias.asp?t=4&nop=407 espelha este texto:
Presidente do Senado visita a República Checa.
25/3 – EFE O Presidente do Senado do Brasil, Ramez Tebet, visita hoje, segunda-feira, a República Checa durante uma viagem à Europa [....] Sobre as relações entre os dois países, Pithart lembrou os anos de 1956 a 1961, quando Juscelino Kubitschek era presidente do Brasil. Ele, que nasceu na cidade checa de Trebon, na Boêmia do sul, emigrou para o país latino-americano. [Obs.: A família de JK emigrou de Trebon para Diamantina]
Cristina da Costa Pereira, professora de literatura e escritora, em entrevista à Revista Planeta, no 174, março de 1987, p. 14, intitulada Ciganos, os ladrões de almas, falou ao repórter:
Imagine, Kubitschek era cigano, filho de mãe cigana, descendente de tchecos; o lado paterno não era. Lendo notícias de jornais da época, achei declarações reveladoras do próprio ex-presidente e o vi como padrinho de casamento de vários grupos ciganos.
Lemos no site de Carta Capital http://www.cartacapital.com.br/edicoes/2005/07/350/2415/
“JK teve de omitir que era [cigano], senão não seria presidente. Nunca fez nada por nós, também porque não fomos pedir”, diz Iovanovitch. “Os ciganos de Inconfidentes, em Contagem, preservam o relato oral de visitas de JK às comunidades. Ele tinha origem cigana, relacionava-se com eles”.
Por último, mas não menos importante, transcrevo parte uma entrevista publicada na Revista de História, da Biblioteca Nacional, ano 2, no14, p. 35, sob o título Plano Nacional de Cultura para os ciganos:
Pergunta:
RH (Revista de História). Há discriminação contra os ciganos?
GV (Geraldo Vitor da Silva Filho, da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural e coordenador do Grupo de Trabalho para as Culturas Ciganas). “Há, e bastante. Isto vem da época da Inquisição quando a igreja passou a condená-los pelas práticas esotéricas que eles exerciam, como a leitura de mão. A partir daí surgiu uma série de mitos infundados, como os que dizem que ciganos raptam crianças ou vendem cavalos cegos. Para vocês terem uma idéia, até 1998 o Dicionário Aurélio colocava a palavra ‘cigano’ como sinônimo de ‘trapaceiro’. E isso se faz sentir até hoje. JK era neto de ciganos, e Márcia Kubitschek proibiu que isso fosse citado na minissérie recente feita pela Rede Globo...”.
Assim, termina-se esta pesquisa sobre a origem de JK. Jamais serão apresentadas certidões de batismo de seus antepassados, pressupondo que eram realmente ciganos, porque este povo não costuma registrar seus filhos em cartórios. Temos que nos louvar nesses depoimentos e tê-los como parcialmente verdadeiros, até prova em contrário. Não podemos ter estes depoimentos como verdadeiros in totum, mas também não vamos descartá-los como inverídicos. E aqui fica um desafio para pesquisadores e historiadores: Que se aprofundem na genealogia de JK e nos dêem um parecer definitivo. Até então, vamos ter JK como nosso irmão cigano, com muita honra.
Legado de JK ao povo: Alegria, esperança, otimismo, auto-estima, orgulho de ser brasileiro, visão do futuro e liberdade.
Realizações de JK: Universidades, indústrias (automotiva, naval, siderurgia etc.), estradas, represas, hidroelétricas, Brasília; em suma: desenvolvimento e progresso.
"Ninguém pode ter outro interesse se não o de que se consolide o regime de liberdade, sem o qual não há nação que possa qualificar-se de civilizada." JK
Asséde Paiva
Guimarães Rosa e os Ciganos
João Guimarães Rosa (1908-1967), médico, poeta, prosador, diplomata, poliglota.
Seu romance mais famoso é Grande Sertão: Veredas. Como coloca no romance duas ciganas: mãe e filha
Ele disse :
-Pesquisei estas duas, pois admiro e amo o povo cigano.
Em seu livro Pois é!, Nova Fronteira, 1990, Paulo Rónai, à página 21, nos diz que Guimarães Rosa ficou nos devendo a grande epopéia cigana, por ter partido tão cedo e repentinamente. Sabemos que Paulo Rónai era amigo do mesmo e deve ter ouvido confidências sobre ciganos.
Em Entrevista no Jornal o Globo em de 11/3/2006
José Luís Guimarães Rosa, irmão do escritor, lembra, emocionado, sua devoção às palavras:
Nota do Blog:
Os ciganos não predizem morte do consulente, só predizem coisas boas ou nos dão alertas. Ciganos querem dar alegria aos consulentes e dizem: “Uma grande fortuna o espera”; “Lindo moço loiro está a sua procura” (para as moças). “Você será seduzido por uma morena”; “Vai acertar na loteria”; “Cuidado ao dirigir veículo”; “Enfrentará uma demanda” etc.
Afinal, lêem a buena dicha, não mala suerte.
Em Grande Sertão: Veredas, as ciganas Nhorinhá e Ana Duzuza aparecem às páginas 31, 32, 33, 34, 35, 36, 38, 49, 92, 93, 178, 290, 352, 367, 483, 485, 487, 488, e 491.. Em Sagarana, se nos apresenta um personagem que aderiu a um grupo cigano para aprender suas espertezas e depois passá-los para trás. Está no conto Corpo fechado, à p. 256; em Tutaméia são três contos: O Faraó e a água do rio; O outro e o outro; e Zingaresca.
Guimaraea Rosa conhecia muito sobre ciganos. Disto nos dá prova em suas estórias, porém, às vezes deixava-se levar por preconceitos arraigados contra este povo. E errava como todos nós erramos. Falaremos um pouco de seus devaneios em relação aos ciganos, começando por Nhorinhá. Esta cigana foi na verdade o grande amor de Riobaldo. Ele nunca a esqueceu.
Como no texto, em Grande Sertão: Veredas, a fala inicial sobre as ciganas é pequena, vamos transcrevê-la aqui. As transcrições estão em itálico (Ref. Nova Fronteira, pp. 31-33, 18ª edição):
Digo: outro mês, outro longe — na Aroeirinha fizemos paragem. Ao que, num portal, vi uma mulher moça, vestida de vermelho, se ria. — “Ô moço de barba feita...”— ela falou. Na frente da boca, ela quando ria tinha os todos dentes, mostrava em fio. Tão bonita, só. Eu apeei e amarrei o animal num pau de cerca. Pelo dentro, minhas pernas doíam por tanto que desses três dias a gente se sustava de custoso varar: circunstância de trinta léguas. Diadorim não estava perto, para reprovar. De repente, passaram, aos galopes e gritos, uns companheiros, que tocavam um boi preto que iam sangrar e carnear em beira d’água. Eu nem tinha começado a conversar com aquela moça, e a poeira forte que deu no ar ajuntou nós dois, num grosso rojo avermelhado. Então eu entrei, tomei um café coado por mão de mulher, tomei refresco, limonada de pêra-do-campo. Se chamava Nhorinhá. Recebeu meu carinho no cetim do pêlo — alegria que foi, casamento esponsal. Ah, a mangaba boa só se colhe já caída no chão, de baixo... Nhorinhá. Depois ela me deu de presente uma presa de jacaré, para traspassar no chapéu, com talento contra mordida de cobra; e me mostrou para beijar uma estampa de santa, dita meia milagrosa. Muito foi.
Mãe dela chegou, uma velha arregalada, por nome de Ana Duzuza: falada de ser filha de ciganos, e dona advinhadora da boa ou má sorte da gente; naquele sertão essa dispôs de muita virtude. Ela sabia que a filha era meretriz, e até — contanto que fosse para os homens de fora do lugarejo, jagunços e tropeiros — não se importavam, mesmo dava sua placença. Comemos farinha com rapadura. E Ana Duzuza me disse, vendendo forte segredo, que Medeiro Vaz ia experimentar passar de banda a banda o liso do Suçuarão. Ela estava chegando do arranchado de Medeiro Vaz, que por ele mandada buscar, ele querendo profecias. Loucura duma? Para que? Eu nem acreditei.
Somente em Grande Sertão, citou ciganas tão depreciativamente, tão injustamente. É pacífico entre ciganólogos que ciganas não se prostituem. É a lição de George Borrow (1803-1881), o inglês que falava mais de 100 idiomas, escreveu a Bíblia em romani (a língua dos ciganos) e viveu por muitos anos com os ciganos de Espanha. Ele nos diz em seu livro The Zincali (Os ciganos) que as ciganas são fiéis e jamais traem seus maridos. Temos também o depoimento do antropólogo Olímpio Nunes, autor do livro O povo cigano, onde se lê à p. 207: “A honra da cigana sintetiza-se em observar com reverência a lacha (pudor e castidade) do corpo, embora não reprove outras licenciosidades, como a da linguagem ou do gesto. A lacha, para uma cigana, vale mais que a própria vida [....] Entre as poucas obrigações de uma mãe de família (a daj), a primeira é incutir nas filhas a importância capital da lacha. [....]. Podemos dizer que é rara a prostituição feminina”.
